"Ando por lugares e vejo gentes... Vejo pessoas correndo em busca de ideais... Pessoas nas ruas gritando por chances... Nada é mais normal do que qualquer coisa. Nada faz sentido, próximo às pessoas que surgem em minha frente, tudo é inevitavelmente confuso e anormal, nada faz sentido... É tudo contraditório e surpreendentemente irreal – já que em muitos momentos da vida a realidade nada mais é do que a perfeita imagem do irreal, do ideal que projetamos em nossas mentes. Continuo andando... Continuo vendo essas mesmas gentes que via antes; gentes que, comem, bebem, riem, brincam com seus filhos, beijam seus amores, que vivem, ou será que simplesmente sobrevivem?... A cada novo passo me sinto mais longe... Mas, olho ao meu redor e me pergunto pra onde vou?; pra onde essas pessoas irão?... Vejo que o “onde” não existe e, que o “onde” é aqui... o “aqui” que me pertence... que está à minha frente...e... que não consigo agarrar... olho e vejo gentes felizes e tristes; sofrendo e sorrindo; fazendo amigos e inimigos; pedindo mais e mais chances... mais e mais coisas... e, percebo que tenho medo de “coisas”, tenho medo de títulos, de convenções, de espetáculos sociais, de diplomas e teoremas... ou melhor percebo que não tenho medo... percebo que tais coisas simplesmente não me interessam... percebo que procuro coisas menos palpáveis... procuro por retinas, por sentimentos, por grandes amigos, por grandes pessoas, por grandes amores... por coisas meramente fúteis aos severos olhos sociais...procuro pelo “eu”, e, não pelo “meu”, pelo “seu”... continuo andando e procurando... Vendo gentes... Vendo pessoas (que procuram o que não procuro)... Vendo ruas e momentos... Vendo tudo e não entendendo nada...
Aqui estou eu: uma simples andarilha no meio da multidão..."
K.A.C-2007